quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ex-presidente do BRB é preso em operação da PF




A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (16/4), uma nova etapa da Operação Compliance Zero, resultando na prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O advogado Cleber Lopes, que representa a defesa de Paulo Henrique, confirmou a operação ao Correio e afirmou que o mandado de prisão tem natureza processual, não se tratando de responsabilidade penal. O executivo é suspeito de ter facilitado negócios sem lastro entre o BRB e o Banco Master, violando práticas de governança.

A nova fase da operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, cumpre dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. Estão sendo investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, infrações financeiras e organização criminosa.

As acusações contra Paulo Henrique Costa

Prejuízo bilionário ao BRB: Investigações apontam que o BRB comprou aproximadamente R$ 21,9 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, operações que teriam causado um prejuízo calculado em cerca de R$ 5 bilhões à instituição pública. O Banco Central chegou a barrar a tentativa de compra do Master pelo BRB em setembro de 2025.

Suspeita de propina de R$ 140 milhões: A Polícia Federal investiga se Paulo Henrique Costa teria recebido R$ 140 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Master) como propina para viabilizar a compra do banco privado pelo BRB.

Centralização das operações sob suspeita: Uma auditoria externa contratada pela nova gestão do BRB concluiu que Costa centralizou tanto as operações comerciais com o Banco Master quanto a busca de novos acionistas para o banco público. Os auditores classificaram como "suspeita" sua atuação direta na captação de investidores.

Triangulação financeira e aquisição de ações: A investigação apura um esquema de triangulação financeira que teria permitido a Daniel Vorcaro e ao empresário João Carlos Mansur (da Reag) adquirirem aproximadamente 23,5% das ações do BRB. A Justiça já bloqueou R$ 376,4 milhões em participações acionárias desses investigados para possível reparação de danos ao banco.

Uso de "laranjas" na compra de ações: Segundo as investigações, pessoas físicas com renda declarada incompatível teriam adquirido volumes expressivos de ações do BRB com financiamento de empresas ligadas ao esquema, incluindo um morador de São Luís que declarou renda mensal de R$ 35 mil mas teria comprado R$ 90 milhões em ações.

Dívida pessoal com o BRB: Além das investigações criminais, o BRB acionou a Justiça para cobrar uma dívida de R$ 799 mil de Paulo Henrique Costa, referente a quatro empréstimos contraídos entre junho de 2021 e outubro de 2024. As parcelas deixaram de ser pagas em dezembro, logo após seu afastamento do cargo.

Em depoimento prestado à PF em dezembro, Paulo Henrique Costa afirmou que "não tinha clareza" sobre o esquema de fraudes do Banco Master e que os arquivos recebidos pelo BRB não indicavam falta de saúde financeira da empresa. Costa foi afastado do cargo por decisão judicial em novembro de 2025 e posteriormente demitido pelo então governador Ibaneis Rocha. Na ocasião da primeira fase da operação, ele estava nos Estados Unidos fazendo um curso.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso na terceira fase da operação, em março de 2026, e o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Vorcaro está em negociações para uma possível delação premiada.

Com informações da Agência Brasil, g1, CNN Brasil e BBC News Brasil

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