Pela primeira vez, a mãe do garoto de
seis anos baleado por um policial civil falou sobre o crime. Criança segue
internada em estado grave, porém, estável
Pela primeira vez, a mãe do garoto de seis anos baleado por um policial civil
do Distrito Federal na BR-070 falou sobre o crime que vitimou a família. Em
entrevista a jornalistas na manhã deste domingo (8/1) Paula Caxias deu detalhes
do momento em que agente Silvio Moreira Rosa, 54 anos, atirou contra o carro da
família e vitimou seu filho e narrou a sequência de desespero em busca de
salvar a vida da criança.
"Como olhar para trás e ver seu filho morto? Eu não podia aceitar. Desci no carro, desvirei ele, e comecei a fazer massagem. Eu não sabia que o que tinha que fazer, mas eu só sabia que não queria aceitar que ele estava morto. Eu fazia muito e com muita força. A cabecinha dele balançava de tanto que eu fazia com força. Ele abriu o olhinho e falou: 'mamãe eu estou com sono, mas eu não estou quase te enxergando'. Quando ele falou isso eu vi que estava vivo. Gritei meu marido pra levantar e falei que ele não estava morto. Vamos levar ele no hospital. Eu tinha que salvar ele, tirar ele dali. Eu consegui fazer meu marido levantar, e falei para ele não olhar pra trás e dirigir o máximo possível", contou Paula.
"Como olhar para trás e ver seu filho morto? Eu não podia aceitar. Desci no carro, desvirei ele, e comecei a fazer massagem. Eu não sabia que o que tinha que fazer, mas eu só sabia que não queria aceitar que ele estava morto. Eu fazia muito e com muita força. A cabecinha dele balançava de tanto que eu fazia com força. Ele abriu o olhinho e falou: 'mamãe eu estou com sono, mas eu não estou quase te enxergando'. Quando ele falou isso eu vi que estava vivo. Gritei meu marido pra levantar e falei que ele não estava morto. Vamos levar ele no hospital. Eu tinha que salvar ele, tirar ele dali. Eu consegui fazer meu marido levantar, e falei para ele não olhar pra trás e dirigir o máximo possível", contou Paula.
A
entrevista ocorreu no Hospital Santa Helena, onde o garoto está internado após
passar por uma cirurgia durante a madrugada de
sábado (7/1). Para a mãe, a intenção do policial era causar confusão, porém, ela não imaginava que ele seria capaz de atirar contra o veículo da família. De acordo com Paula, um pouco antes dos disparos, os dois carros haviam se cruzado em um parte da via. Ela contou que na estrada há um trecho em obras e o pai da criança dirigia no sentido do distrito de Girassol (GO) e chegou a ultrapassar o policial civil. "Ele passou por nós fazendo uma ultrapassagem já quase batendo com um caminhão que vinha devagar na pista. Depois, ele passou na nossa frente. Nessa passagem, ele foi 'brecando' o carro. Avisei meu marido para passar por ele e seguir pelo outro lado. Percebi que ele queria alguma confusão", relata Paula.
sábado (7/1). Para a mãe, a intenção do policial era causar confusão, porém, ela não imaginava que ele seria capaz de atirar contra o veículo da família. De acordo com Paula, um pouco antes dos disparos, os dois carros haviam se cruzado em um parte da via. Ela contou que na estrada há um trecho em obras e o pai da criança dirigia no sentido do distrito de Girassol (GO) e chegou a ultrapassar o policial civil. "Ele passou por nós fazendo uma ultrapassagem já quase batendo com um caminhão que vinha devagar na pista. Depois, ele passou na nossa frente. Nessa passagem, ele foi 'brecando' o carro. Avisei meu marido para passar por ele e seguir pelo outro lado. Percebi que ele queria alguma confusão", relata Paula.
A
mãe contou que depois disso, o policial Silvio Moreira Rosa continou
pressionando o carro dele contra o automóvel da família. Segundo ela, em alguns
momentos da viagem, o acusado entrou na contramão e ficou lado a lado com
outros carros que estavam na estrada.
"Parecia
que ele (policial) queria bater no nosso carro. Falei para o meu marido
acelerar e, de repente, começaram os tiros. Quando percebi que eram tiros falei
para ele (marido) correr mais e pedi ao meu filho para tirar o cinto e esconder
atrás do meu banco. Quando meu marido o puxou o meu filho caiu debruçado, com
as costinhas cheias de sangue. Meu marido não aguentou e parou o carro. Se
ajoelhou na pista e abriu os braços e começou a gritar para ele: Você matou meu
filho", relembra.
A
mãe contrapôs o argumento do acusado que afirmou, em depoimento à Polícia Civil
de Goiás, que atirou por acreditar se tratar de fugitivos da polícia. Além
disso, informou que não houve discussão entre Silvio e eles. "Ele (Silvio)
sabia que ali tinha uma criança. Meu filho faz a propaganda do colégio em que
ele estuda. A traseira do meu carro é completa com a foto do meu filho e o nome
do colégio. Todo mundo sabe que ali é um carro que vai uma criança. Não existiu
discussão. Nosso carro estava com os vidros abaixados. Ele atirou sabendo que
ali havia uma família". Logo após o fato, o policial civil, mesmo sabendo
de uma criança ferida, seguiu em fuga. A mãe conta qu, inclusive, eles chegaram
a reencontrar o carro de Silvio na estrada. "Ficamos com medo de ele
atirar de novo. Eu só pensava em salvar meu filho".
Socorro
Após
o garoto ser reanimado, pai e mãe seguiram com o filho a busca de uma unidade
de saúde. Ainda na BR-070 viram o posto do Serviço Médico de Urgência (Samu),
onde foram realizados os primeiros socorros. "Estavam ali de prontidão
para atender meu filho". Após receber os primeiro atendimentos, o menino
foi levado para o Hospital Bom Jesus e depois transferido para o Hospital de
Base (HBDF).
A criança depois foi levada para o Hospital Santa Helena onde passou por uma cirurgia por quase oito horas. Por causa da gravidade do fato, ele está em coma induzido na Unidade de Terapia Infantil (UTI) do hospital particular. "O estado dele ainda é grave, mas estável. Ele está respirando com a ajuda de aparelho até a sua estabilização e vêm sendo monitorado", detalhou a coordenadora médica da pediatria Alzira Santos.
A criança depois foi levada para o Hospital Santa Helena onde passou por uma cirurgia por quase oito horas. Por causa da gravidade do fato, ele está em coma induzido na Unidade de Terapia Infantil (UTI) do hospital particular. "O estado dele ainda é grave, mas estável. Ele está respirando com a ajuda de aparelho até a sua estabilização e vêm sendo monitorado", detalhou a coordenadora médica da pediatria Alzira Santos.
Fonte:
Correio
Braziliense