quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Constrangimento Institucional Leva a Revisão de Decisão sobre Processos de Blindagem do STF

Foto: Reprodução internet

O decano do Supremo Tribunal Federal revogou parte de sua própria decisão monocrática que limitava a propositura de pedidos de impeachment contra ministros da Corte à Procuradoria-Geral da República. A medida representa uma mudança de rumo diante das fortes tensões institucionais geradas entre o STF e o Senado Federal.

A decisão inicial havia colocado o magistrado em rota de colisão com a Presidência do Senado, que a interpretou como uma invasão de competência constitucional do Poder Legislativo. Para aliviar o impasse, o ministro optou por suspender o trecho mais controverso, restabelecendo temporariamente a interpretação da lei atual, que permite a qualquer cidadão apresentar tais pedidos ao Senado.

Além disso, o caso foi retirado da pauta do plenário virtual e deverá ser submetido ao plenário físico, mas somente em 2026. Embora tenha atendido parcialmente ao pleito do Senado, que buscava a revogação integral da liminar, o ministro manteve outro ponto de sua decisão: a exigência de quórum qualificado de dois terços do Senado para a abertura de processo de impedimento, argumentando que essa salvaguarda protege a independência do Judiciário.

Paralelamente, um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados, conhecido como “Dosimetria”, agrega um novo elemento de complexidade ao cenário. A proposta altera regras de progressão de regime prisional, estabelecendo que o agravante de cumprimento de 25% da pena para crimes cometidos com violência ou grave ameaça se restrinja aos crimes contra a pessoa e o patrimônio.

Esta alteração exclui expressamente os crimes contra o Estado Democrático, como a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, do referido agravante. Consequentemente, condenados por tais crimes poderiam ter direito à progressão de regime após o cumprimento de apenas um sexto da pena, conforme a regra geral.

O autor do projeto sustenta que a mudança não representa um benefício automático, pois a progressão permanece sujeita à decisão judicial. No entanto, parlamentares da oposição contestam, argumentando que a medida facilita a progressão de regime para condenados por crimes de "colarinho branco" e, potencialmente, para os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro.

O projeto segue agora para análise no Senado, onde seu relator não descartou a possibilidade de incluir no texto discussões sobre anistia aos envolvidos nos citados eventos, o que promete acirrar ainda mais o debate no Congresso Nacional.

Dessa forma, a revisão da decisão sobre impeachments e a tramitação do projeto sobre dosimetria penal ilustram um período de intensa negociação e atrito entre os Poderes, com consequências diretas para o processo político e o sistema de justiça.


Fonte: A redação

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