Enquanto
o governo do Distrito Federal comemora a diminuição no índice de homicídios, a
população, em contraponto, a cada dia se sente mais insegura. A constatação
pode ser feita em conversa com os próprios moradores. Por parte da Secretaria
de Segurança Pública, a redução de um homicídio é motivo de comemoração e faz
alarde nos dados. Em janeiro de 2012 foram 48 mortes e no mesmo período de
2013, 47 pessoas perderam a vida.
O
termômetro para a insegurança no DF está na opinião de moradores de diversas regiões
ouvidos pelo jornal Guardião Notícias. A jornalista
Rayane Rodrigues, por exemplo, mudou a rotina na hora de ir para a casa.
“Sinto-me insegura no
momento em que chego em casa porque não tenho garagem
para estacionar meu carro. Tenho hábito de fazer percursos diferentes para
chegar em casa”, completa.
A
publicitária Ádila Lopes, moradora de Samambaia, sai pouco de casa e quando
precisa ir a algum lugar, prefere a luz do dia. “Se preciso sair ou voltar
tarde da noite, quase sempre, estou de carro”, relata. Ádila também critica o
policiamento ostensivo. “Nunca os vejo”, descreve. Realidade compartilhada pelo
morador da Estrutural, Dyonattan Costa. “Não vejo como deveria ser”, acrescenta
o morador.
Outro lado
Defendendo
a redução da criminalidade, o secretario Sandro Avelar explicou, em dados, a
escala descendente da criminalidade, ainda que tímida. Em 2011, o DF registrou
56 mortes violentas, contra 48 em janeiro do ano anterior 47 casos deste ano.
Avelar
atribui a queda no número de homicídios no DF, entre outros pontos, ao esforço
da corporação. “Conseguimos uma média muito baixa da média história de
homicídios na cidade que era de 2 mortes por dia. No mês de janeiro
foram apenas 47, média bem abaixo”, conta Sandro Avelar.
Já
o sargento Manoel Sansão Alves Barbosa, presidente da Associação dos Praças
Policiais e Bombeiros Militares do DF(ASPRA) questiona os dados da SSP-DF. “A
PM, há mais de um ano, está em “Operação Tartaruga”. A maior parte do
contingente, não tem desempenhado seu trabalho na totalidade. Diante dessa
situação questiono a diminuição da criminalidade na cidade”, contrapõe Sansão.
Palavra de especialista – Para a pesquisadora em segurança pública da Universidade Católica,
professora Marcelle Figueira, a taxa de homicídios pouco influencia na sensação
de insegurança das pessoas. “Não é motivo para ficar pessimista, mas também nem
otimista”, observa. Segundo Marcelle, o papel da PM é delimitado e para as
pessoas se sentirem seguras é preciso um trabalho integrado e para médio e longo
prazo.
Ela
defende que isso só ocorre com o fortalecimento das redes interpessoais. Ou
seja, a relação entre vizinhos. Além disso, acredita que parte dessa sensação é
oriunda de uma infraestrutura de iluminação nas cidades. Esses elementos
aumentam o fluxo de pessoas e inibem a atuação de bandidos.
Por Jean Márcio e Elton Santos
Fonte: Guardian Noticias
