segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Governo comemora, mas população não




Enquanto o governo do Distrito Federal comemora a diminuição no índice de homicídios, a população, em contraponto, a cada dia se sente mais insegura. A constatação pode ser feita em conversa com os próprios moradores. Por parte da Secretaria de Segurança Pública, a redução de um homicídio é motivo de comemoração e faz alarde nos dados. Em janeiro de 2012 foram 48 mortes e no mesmo período de 2013, 47 pessoas perderam a vida.

O termômetro para a insegurança no DF está na opinião de moradores de diversas regiões ouvidos pelo jornal Guardião Notícias. A jornalista Rayane Rodrigues, por exemplo, mudou a rotina na hora de ir para a casa. “Sinto-me insegura no
momento em que chego em casa porque não tenho garagem para estacionar meu carro. Tenho hábito de fazer percursos diferentes para chegar em casa”, completa.

A publicitária Ádila Lopes, moradora de Samambaia, sai pouco de casa e quando precisa ir a algum lugar, prefere a luz do dia. “Se preciso sair ou voltar tarde da noite, quase sempre, estou de carro”, relata. Ádila também critica o policiamento ostensivo. “Nunca os vejo”, descreve. Realidade compartilhada pelo morador da Estrutural, Dyonattan Costa. “Não vejo como deveria ser”, acrescenta o morador.

Outro lado
Defendendo a redução da criminalidade, o secretario Sandro Avelar explicou, em dados, a escala descendente da criminalidade, ainda que tímida. Em 2011, o DF registrou 56 mortes violentas, contra 48 em janeiro do ano anterior 47 casos deste ano.

Avelar atribui a queda no número de homicídios no DF, entre outros pontos, ao esforço da corporação. “Conseguimos uma média muito baixa da média história de homicídios na cidade que era de 2 mortes por dia.  No mês  de janeiro foram apenas 47, média bem abaixo”, conta Sandro Avelar.

Já o sargento Manoel Sansão Alves Barbosa, presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares do DF(ASPRA) questiona os dados da SSP-DF. “A PM, há mais de um ano, está em “Operação Tartaruga”. A maior parte do contingente, não tem desempenhado seu trabalho na totalidade. Diante dessa situação questiono a diminuição da criminalidade na cidade”, contrapõe Sansão.

Palavra de especialista – Para a pesquisadora em segurança pública da Universidade Católica, professora Marcelle Figueira, a taxa de homicídios pouco influencia na sensação de insegurança das pessoas. “Não é motivo para ficar pessimista, mas também nem otimista”, observa. Segundo Marcelle, o papel da PM é delimitado e para as pessoas se sentirem seguras é preciso um trabalho integrado e para médio e longo prazo.

Ela defende que isso só ocorre com o fortalecimento das redes interpessoais. Ou seja, a relação entre vizinhos. Além disso, acredita que parte dessa sensação é oriunda de uma infraestrutura de iluminação nas cidades. Esses elementos aumentam o fluxo de pessoas e inibem a atuação de bandidos.

Por Jean Márcio e Elton Santos

Fonte: Guardian Noticias

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