O governador Agnelo
Queiroz mandou fazer um estudo jurídico sobre o preenchimento da vaga de
conselheiro aberta no Tribunal de Contas do DF (TCDF), após a aposentadoria
compulsória da conselheira Marli Vinhadeli, em dezembro passado. A dúvida paira
sobre as condições que o único auditor da Corte, hoje, tem de assumir o posto,
já que a vaga é vinculada, de acordo com a Lei Orgânica do DF, a um integrante
da carreira do TCDF.
A decisão foi tomada na tarde de ontem, durante reunião entre o governador Agnelo Queiroz, o recém-eleito presidente do Tribunal, Inácio Magalhães, a vice Anilcéia Machado, e o conselheiro Paulo Tadeu. Ao fim do encontro, o governador e os
conselheiros combinaram que outra reunião será agendada com o
presidente da Câmara, deputado Wasny de Roure (PT), para construir decisão
comum aos três poderes. ...A decisão foi tomada na tarde de ontem, durante reunião entre o governador Agnelo Queiroz, o recém-eleito presidente do Tribunal, Inácio Magalhães, a vice Anilcéia Machado, e o conselheiro Paulo Tadeu. Ao fim do encontro, o governador e os
A vaga da conselheira Marli Vinhadeli é uma das duas vagas de conselheiros vinculadas. Uma cabe a auditor do Tribunal - uma espécie de promoção ao servidor de carreira — e outra ao Ministério Público de contas. Das cinco que restam, três seriam de indicação do governador e duas da Câmara Legislativa.
A polêmica ocorre por falta de auditor no TCDF. O único deles, José Roberto Paiva Martins, tem idade superior à fixada na Lei Orgânica.
“Esta idade limite é para pessoas que nunca foram do serviço público. Sou conselheiro substituto há mais de dez anos e estou substituindo o conselheiro Domingos Lamoglia há três anos sem interrupção. A nomeação seria apenas a efetivação de um cargo que já exerço”, explicou Paiva Martins. O auditor já incorporou aos seus vencimentos a diferença salarial de aproximadamente R$ 1 mil pela função de conselheiro e, segundo ele, não teria motivações salariais. “É uma questão de respeito”, disse.
Segundo os conselheiros do Tribunal de Contas, a tendência, hoje, é de que a nomeação seja mesmo de Paiva Martins. Entretanto, o processo ainda enfrenta resistências e o objetivo é achar um nome que passe pela Câmara Legislativa. “É unânime o entendimento de que a vaga é do auditor Paiva Martins e já avisei, inclusive, que não comparecerei a posse de um conselheiro que não seja auditor de carreira”, observou o conselheiro Renato Rainha, que não foi ao encontro.
Câmara quer ouvir o STJ
As movimentações na Câmara Legislativa indicam que a nomeação de Paiva precisará de mais articulação. O próprio presidente da Casa, deputado Wasny de Roure, acredita que o melhor é consultar o Superior Tribunal de Justiça quanto a uma decisão sobre o concurso de auditores realizado em 2002. Governistas também resistem à indicação do auditor Paiva Martins, por conta da idade. Martins tem 66 anos – em tese, um a mais do que é permitido pela Constituição.
“A legislação deve ser respeitada. Não temos nada contra Paiva Martins, mas não tomaria uma decisão sem consultar o STJ a respeito dos concursados, pois esta seria a melhor solução para o problema. Afinal, assim existiriam mais opções”, explicou Wasny.
Líder do bloco do PT-PRB, Chico Vigilante afirmou que trabalhará por um nome de indicação da Câmara, em consenso com o governador. “Paiva ultrapassou a idade e isso é um estupro da lei. A Câmara precisa se impor, já que o Tribunal é um órgão auxiliar seu”, criticou.
Por
Camila Costa
Fonte: Jornal de Brasília - 18/01/2013
