Interceptações telefônicas e de rádio feitas com autorização da Justiça agravam a situação da delegada Martha Vargas, ex-chefe da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul). Documentos reunidos durante a Operação Centenário, os quais o Correio teve acesso com exclusividade, mostram que a policial teve conduta indevida com a vidente Rosa Maria Jacques e o marido dela, João Toccheto de Oliveira, presos em agosto do ano passado sob a acusação de apontar pessoas inocentes como autoras do triplo homicídio ocorrido na 113 Sul. Martha esteve à frente do caso na fase inicial das investigações e acabou exonerada do cargo por conta de falhas ao longo do inquérito.
O casal teria procurado a investigadora em 31 de outubro de 2009 para dizer que poderia contribuir com a investigação. Algumas das conversas com a delegada, interceptadas pela Polícia Civil, ocorreram entre 26 de abril e 5 de maio de 2010, quando a investigação havia sido repassada à Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida). Na primeira delas, Toccheto liga para o rádio de um delegado da 1ª DP para falar com Martha, pois "não pode ligar no da delegada, e do agente Augusto está desligado" (leia quadro abaixo). Ele, então, consegue falar com Martha e relata que ele e Rosa Maria foram intimados a comparecer à Corvida. Conforme a gravação policial, Martha aconselha a vidente e o marido a não virem para Brasília para prestar depoimento.
No segundo momento da conversa, Martha liga para Toccheto e relata a prisão de um amigo de Cláudio (José de Azevedo Brandão), preso com uma corrente e um anel escrito Carol. A delegada pede para que Toccheto veja com Rosa Maria se as joias são de Carolina (Villela, filha de Adriana Villela), "pois, se for, tudo estará resolvido". Cláudio, a quem a delegada se refere, é morador de Vicente Pires, acusado por Martha, ao lado Alex Peterson Soares e Rami Jalau Kaloult, pelo triplo homicídio.
Na época, a policial anunciou ter encontrado a chave que abria a porta do apartamento do casal Villela na casa dos então suspeitos. No entanto, ao assumirem as investigações, os policiais da Corvida descobriram que a mesma chave apreendida no imóvel dos acusados havia sido fotografada pelos peritos no apartamento das vítimas, em 31 de agosto de 2009, quando os corpos foram encontrados.
Confiança
A reportagem tentou falar por diversas vezes com a delegada Martha Vargas na tarde de ontem — também enviou uma mensagem de texto. A policial, no entanto, não retornou às ligações. O Correio apurou que ela foi intimada quatro vezes a prestar esclarecimentos na Justiça, mas não encontrada em nenhum dos endereços informados. Para a colega de corporação Mabel Alves, Martha confiava nos supostos poderes paranormais de Rosa Maria. "Em razão disso, ela fez uma investigação parcial, que contribuiu negativamente para a apuração do crime, mas, felizmente, conseguimos desfazer os nós", defendeu.
Outras transcrições telefônicas comprometem Adriana Villela. Numa delas, um advogado de Toccheto e Rosa Maria pede para que eles não comentem na Corvida que a segunda trabalhou com Fernando Collor de Melo, uma vez que José Guilherme Villela foi advogado do ex-presidente da República. Segundo avaliação do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), Adriana contratou Rosa Maria para desvirtuar as investigações, mas Adriana nega ter conhecido a vidente e tido qualquer contato com ela.
Fraude
No inquérito do caso Villela, o policial civil José Augusto é apontado como suspeito de plantar a prova no lote dos três rapazes. Ele foi indiciado por fraude processual. A pena prevista é de seis meses a quatro anos de prisão, em caso de condenação. Com ele, a ex-empregada Guiomar Barbosa da Cunha também foi denunciada à Justiça por denunciação caluniosa.
sábado, 5 de novembro de 2011
Escutas revelam que delegada Martha aconselhou envolvidos
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