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Por Gleisson Coutinho
A dívida bruta do governo geral alcançou 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central. O indicador avançou em relação aos 80,2% registrados em abril e ficou acima das projeções do mercado financeiro.
O aumento do endividamento foi impulsionado, principalmente, pelo elevado custo dos juros da dívida pública. Apenas em maio, os pagamentos nominais de juros somaram R$ 107,5 bilhões, elevando o comprometimento das contas públicas e pressionando o resultado fiscal acumulado dos últimos 12 meses.
No mesmo período, o setor público consolidado formado pela União, estados, municípios e empresas estatais registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 66% em comparação com o déficit de R$ 33,7 bilhões apurado em maio do ano passado.
Considerando os últimos 12 meses, o déficit primário acumulado corresponde a 1,14% do PIB. Quando são incorporadas as despesas com juros da dívida, o déficit nominal do setor público alcança 9,62% do PIB, evidenciando a pressão exercida pelo custo do financiamento da dívida sobre as contas governamentais.
O avanço da dívida ocorre em um cenário de taxas de juros ainda elevadas e maior necessidade de financiamento do setor público. Especialistas avaliam que a trajetória das contas fiscais continuará sendo um dos principais fatores observados por investidores e agentes econômicos ao longo dos próximos meses, especialmente diante das discussões sobre equilíbrio fiscal e controle dos gastos públicos.