sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Partido Missão nega participação interna em filiação indevida de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro durante entrevista

Foto: Sérgio Lima/Poder360

Registro irregular retirou temporariamente o senador do PL, provocou intervenção do TSE e abriu investigação sobre possível fraude no sistema partidário

Por Gleisson Coutinho

O partido Missão negou que dirigentes ou integrantes de sua direção tenham participado da filiação indevida do senador Flávio Bolsonaro à legenda. O episódio provocou uma disputa de versões, interrompeu temporariamente o registro da candidatura presidencial do parlamentar e levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a determinar a apuração do caso.

O advogado Arthur Rollo, contratado pelo Missão, afirmou à CNN Brasil que ninguém da legenda inseriu deliberadamente a falsa filiação. Segundo a defesa partidária, caso tenha ocorrido uma invasão, o ataque teria atingido o sistema interno do partido, responsável pelo envio dos dados à Justiça Eleitoral.

A versão é questionada porque o cadastramento de filiados no sistema da Justiça Eleitoral depende de credenciais entregues aos dirigentes partidários. Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela CNN afirmaram que o procedimento somente pode ser realizado por dirigentes ou pessoas autorizadas pela executiva da legenda.

A inclusão de Flávio Bolsonaro nos quadros do Missão cancelou automaticamente sua filiação anterior ao Partido Liberal. Com a alteração, o senador ficou temporariamente impedido de registrar sua candidatura à Presidência da República pelo PL.

A Justiça Eleitoral corrigiu posteriormente a situação e restabeleceu o vínculo partidário de Flávio Bolsonaro com o PL, permitindo o prosseguimento do registro de sua candidatura.

O Missão declarou que também foi vítima da fraude e informou que tentou cancelar a filiação assim que identificou inconsistências nos dados apresentados. A legenda afirmou ainda ter enviado mensagens ao gabinete do senador para alertá-lo sobre o problema.

Aliados de Flávio Bolsonaro reconheceram que os e-mails chegaram ao gabinete, mas disseram que as mensagens teriam sido tratadas como possível spam por causa do conteúdo considerado incomum.

O TSE suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações pelo sistema Filia e determinou a investigação do uso indevido das credenciais partidárias. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o sistema continua recebendo solicitações, mas os pedidos permanecerão sem processamento até a conclusão das verificações de segurança.

O caso também revelou uma tentativa de inserir indevidamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos quadros do Missão. A operação, segundo o partido, foi identificada e cancelada antes de produzir efeitos no cadastro eleitoral.

As investigações deverão esclarecer quem utilizou as credenciais, de onde partiu o acesso e se houve participação, negligência ou falha de segurança dentro da estrutura partidária. Até o momento, o Missão e Flávio Bolsonaro afirmam que foram vítimas da ação irregular.

Fontes: CNN Brasil, Tribunal Superior Eleitoral, Poder360, Folha de S.Paulo e UOL.