quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Eleições 2026: faltam poucos dias para a largada, mas cadê o clima de campanha nas ruas do DF?


Por Gleisson Coutinho

Quem acompanhou de perto eleições anteriores no Distrito Federal talvez esteja fazendo a mesma pergunta: onde estão os candidatos?

Faltam poucos dias para o início oficial da propaganda eleitoral, marcado para 16 de agosto, mas, andando pelas ruas das regiões administrativas do DF, a impressão é de uma campanha ainda em modo de espera.

É verdade que existe uma razão jurídica para parte dessa calmaria. A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet somente será permitida a partir de domingo (16). O prazo para registro das candidaturas termina no dia 15, e o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.

Mas uma coisa é o calendário oficial.

Outra é a temperatura política.

Em outras eleições, agosto já parecia outubro

Nas eleições anteriores, neste mesmo período, o clima político já costumava ser percebido com muito mais intensidade por quem vivia o cotidiano das campanhas.

Mesmo antes da autorização formal para pedir voto, havia reuniões, articulações, militância mobilizada, encontros comunitários, lideranças circulando pelas cidades e equipes preparando terreno.

O eleitor percebia que uma eleição estava chegando.

Agora, a sensação nas ruas é diferente.

Deputados distritais, candidatos à Câmara Federal, postulantes ao Senado, ao Governo do Distrito Federal e até as campanhas presidenciais parecem manter uma presença bem mais discreta do que aquela esperada para uma eleição que acontecerá em 4 de outubro.

Não significa que a política esteja parada.

Nos bastidores, definitivamente não está.

O DF já teve debate entre candidatos ao Governo, com discussões sobre BRB, saúde, transporte e gestão pública, enquanto candidaturas ao Senado e à Presidência também realizam encontros e gravações de materiais de campanha em Brasília.

O curioso é que toda essa movimentação ainda parece chegar pouco ao cidadão comum.

Muito movimento nos bastidores, pouco barulho nas ruas

Talvez essa seja a característica mais interessante da eleição de 2026 até agora.

A campanha existe, mas ainda parece acontecer mais dentro das salas do que nas calçadas.

Partidos fecharam chapas, candidatos foram escolhidos, alianças foram negociadas, pesquisas circulam, equipes estão sendo montadas e estratégias digitais são preparadas.

Só que falta aquela sensação de eleição no ar.

Falta encontrar as equipes nas cidades.

Falta aquela conversa política na feira.

Falta candidato visitando comércio, cumprimentando gente, reunindo apoiadores e transformando uma simples caminhada em evento político.

Falta até aquela figura tradicional das eleições brasileiras: o candidato que aparece em tantos lugares no mesmo dia que ninguém consegue entender como conseguiu chegar a todos eles.

Por enquanto, até esse parece estar offline.

Será estratégia ou falta de estrutura?

Existem várias explicações possíveis.

Uma delas é simplesmente o respeito ao calendário eleitoral. Antes de 16 de agosto, existem limitações importantes sobre aquilo que candidatos podem fazer, especialmente quanto ao pedido explícito de voto. O próprio TSE reforça que a propaganda eleitoral geral começa somente nessa data.

Outra possibilidade é uma mudança no próprio modelo das campanhas.

A eleição está cada vez mais digital.

Vídeos curtos, WhatsApp, Instagram, TikTok, transmissões e anúncios passaram a ocupar um espaço que anteriormente pertencia quase exclusivamente às caminhadas, carreatas e grandes concentrações.

Também existe a questão financeira.

Colocar uma campanha inteira na rua custa dinheiro.

É preciso contratar pessoal, produzir material, montar equipes, organizar agendas, transportar militantes e manter estruturas funcionando diariamente.

Por isso, muitos candidatos podem estar esperando o momento permitido pela legislação para colocar toda a operação em funcionamento.

O relógio, porém, não vai esperar

O problema é que o calendário de 2026 será curto e intenso.

A propaganda começa oficialmente em 16 de agosto e o primeiro turno acontece em 4 de outubro.

São poucas semanas para candidatos se apresentarem, conquistarem confiança, mostrarem propostas e, principalmente, fazerem o eleitor lembrar de seus nomes diante da urna eletrônica.

Para candidatos proporcionais, a dificuldade é ainda maior.

O Distrito Federal elegerá 24 deputados distritais e oito deputados federais, além de governador, vice-governador e dois senadores.

É muita gente disputando atenção ao mesmo tempo.

Quando a largada for oficialmente autorizada, provavelmente não haverá espaço para aquecimento.

Será necessário entrar correndo.

Domingo pode apertar o botão “ON”

Talvez a resposta para o silêncio atual esteja justamente no próximo domingo.

A partir de 16 de agosto, a propaganda eleitoral estará autorizada nas ruas e na internet, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

E aí não haverá mais desculpa para permanecer no modo offline.

É possível que o DF acorde na segunda-feira seguinte completamente diferente, candidatos nas ruas, equipes mobilizadas, carros circulando, redes sociais tomadas por propaganda e agendas começando ainda de manhã e terminando à noite.

Ou talvez 2026 esteja realmente inaugurando um modelo diferente de campanha, mais concentrado na internet e menos dependente da ocupação física das cidades.

Só existe uma certeza:

estamos chegando.

E quando chegar o dia 16, aquele candidato que passou meses dizendo que estava “conversando com as bases” terá finalmente que apresentar as bases.

Porque até agora, para quem olha apenas para as ruas do Distrito Federal, a campanha eleitoral de 2026 parece estar carregando.

99%...

Falta apertar:

ENTER.

Por Gleisson Coutinho
Brasília, 13 de agosto de 2026