Por Gleisson Coutinho
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta quinta-feira (13) que as negociações envolvendo a operação financeira destinada ao Banco de Brasília (BRB) devem avançar para uma solução após uma nova audiência de mediação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF).
O encontro foi conduzido pelo ministro Luiz Fux e reuniu representantes do Governo do Distrito Federal, do Ministério da Fazenda, da Advocacia-Geral da União (AGU), do Banco Central, do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e do Ministério Público Federal. As tratativas envolvem uma operação de aproximadamente R$ 6,6 bilhões destinada a fortalecer financeiramente o BRB.
Segundo Celina Leão, as conversas com as instituições financeiras continuarão e a expectativa é de que o entendimento seja concluído. A governadora vem defendendo que a operação é fundamental para preservar o banco público e garantir sua estabilidade.
A audiência desta quinta-feira, entretanto, evidenciou que ainda existem pontos que precisam ser solucionados. O ministro Luiz Fux ressaltou que o Poder Judiciário não pode obrigar bancos ou a União a fornecer garantias para a operação. Apesar disso, houve entendimento para que o GDF, o Ministério da Fazenda e as instituições financeiras prossigam nas negociações em busca de uma alternativa.
Operação pode chegar a R$ 6,6 bilhões
A operação discutida prevê recursos de até R$ 6,6 bilhões. O objetivo é reforçar a situação financeira do BRB após os problemas relacionados às operações envolvendo o Banco Master.
Celina afirmou durante as discussões que esse montante seria suficiente para solucionar a situação enfrentada pela instituição. A governadora também tem argumentado que preservar o BRB é importante não apenas para o Distrito Federal, mas para funcionários, clientes e para o próprio sistema financeiro.
O Governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB e busca estruturar a operação para permitir a capitalização da instituição.
FGC cobra documentação
Um dos pontos ainda em discussão envolve o Fundo Garantidor de Créditos. O FGC informou ao STF que não se considera parte do acordo anteriormente firmado entre o Distrito Federal e a União e afirmou que ainda necessita de informações financeiras para avaliar eventual assistência ao BRB.
Entre os documentos considerados necessários estão demonstrações financeiras da instituição. Segundo o fundo, essas informações são indispensáveis para avaliar a real situação econômico-financeira do banco e verificar a viabilidade da operação pretendida.
Durante a audiência, o presidente do FGC, Daniel Lima, também esclareceu que o fundo não funciona como uma instituição financeira tradicional e que uma eventual participação depende da análise detalhada da situação do BRB.
Celina aposta em entendimento
Mesmo diante dos obstáculos, Celina Leão demonstrou confiança na continuidade das negociações. A estratégia do Governo do Distrito Federal é construir uma solução conjunta com as instituições envolvidas para garantir recursos suficientes para a recuperação financeira do banco.
A situação do BRB tornou-se um dos principais temas políticos e econômicos do Distrito Federal em 2026. Além do impacto financeiro, as discussões ganharam espaço no debate eleitoral e passaram a provocar cobranças por maior transparência sobre a situação da instituição.
A expectativa agora se volta para as próximas reuniões entre o Governo do Distrito Federal, as instituições financeiras e os demais envolvidos na negociação.
Para Celina Leão, o objetivo central permanece o mesmo: preservar o BRB, proteger seus correntistas e assegurar a continuidade de uma das principais instituições financeiras de Brasília.