domingo, 16 de agosto de 2026

Agosto Lilás reforça combate à violência contra a mulher: não se cale, denuncie

Agosto Lilás — Não se cale. Denuncie: 180

Campanha conscientiza a população sobre as diferentes formas de violência e divulga os canais de acolhimento e proteção disponíveis no Distrito Federal

Por Gleisson Coutinho

Durante o mês de agosto, instituições públicas e organizações sociais intensificam as ações do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.

A mobilização faz referência à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, e busca mostrar que a violência doméstica não se limita às agressões físicas. A legislação também reconhece as violências psicológica, sexual, patrimonial e moral.

A violência psicológica pode aparecer por meio de ameaças, perseguições, humilhações, chantagens, isolamento e controle da liberdade da mulher. A violência patrimonial envolve retenção de dinheiro, destruição de documentos, apropriação de bens ou impedimento de trabalhar. Já a violência moral inclui calúnia, difamação e injúria.

Denúncias aumentaram em 2026

Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram que o Ligue 180 recebeu 301.044 atendimentos e 45.735 denúncias de violência contra mulheres no primeiro trimestre de 2026. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 14% nos atendimentos e de 23% nas denúncias.

Os números não devem ser vistos apenas como estatística. Cada denúncia pode representar uma mulher tentando interromper um ciclo de medo, ameaça e agressão. Eles também demonstram a importância da divulgação permanente dos canais de proteção. Confira os dados do Ministério das Mulheres.

Violência também ocorre no ambiente digital

O avanço das agressões praticadas pela internet é outro motivo de preocupação. Entre janeiro e maio de 2026, o Ligue 180 registrou 16.725 ocorrências relacionadas à violência digital contra mulheres, envolvendo situações como ameaças, perseguição virtual, invasão de contas, chantagem e divulgação de imagens íntimas sem autorização.

O crescimento das ocorrências reforça a necessidade de guardar provas, como capturas de tela, mensagens, endereços de perfis e registros de chamadas. A vítima também deve buscar orientação e comunicar o caso às autoridades.

Rede de proteção no Distrito Federal

O Distrito Federal dispõe de serviços especializados para acolher mulheres em situação de violência. As Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher, localizadas na Asa Sul e em Ceilândia, funcionam 24 horas. As demais delegacias também possuem estruturas de atendimento.

A Casa da Mulher Brasileira de Ceilândia permanece aberta todos os dias, durante 24 horas, oferecendo acolhimento humanizado, acompanhamento psicossocial e alojamento provisório para mulheres em situação de risco. Também é possível utilizar a plataforma Maria da Penha Online para registrar ocorrências, encaminhar fotografias, vídeos e outros documentos, solicitar medidas protetivas e pedir acolhimento.

Saiba onde procurar ajuda

Em caso de emergência ou agressão acontecendo naquele momento, ligue imediatamente para a Polícia Militar pelo número 190.

  • 180 — Central de Atendimento à Mulher: serviço gratuito, confidencial e disponível 24 horas;
  • 197 — Polícia Civil do Distrito Federal: denúncias com garantia de sigilo;
  • WhatsApp da PCDF: (61) 98626-1197;
  • 156, opção 6: orientações e atendimento do Governo do Distrito Federal;
  • Maria da Penha Online: registro eletrônico e solicitação de proteção;
  • Casa da Mulher Brasileira de Ceilândia: acolhimento durante 24 horas.

Não se cale

O Agosto Lilás é um período de conscientização, mas o enfrentamento à violência contra a mulher precisa acontecer durante todo o ano.

Reconhecer os sinais, acolher sem julgamentos e comunicar as agressões às autoridades pode interromper o ciclo da violência e salvar vidas.

Se você sofre violência ou conhece uma mulher em situação de risco, não se cale. Em caso de emergência, ligue 190. Para orientação e denúncia, ligue gratuitamente 180.