Por Gleisson Coutinho
Há algo de muito errado acontecendo na política. Em ano eleitoral, multiplicam-se os candidatos que percorrem ruas, visitam bairros e discursam sobre mudança. No entanto, muitos deles cometem o mesmo erro: ignoram aqueles que, durante os quatro anos, permaneceram ao lado da população. Ignoram as verdadeiras lideranças comunitárias.
Líder comunitário não nasce na época da eleição. Não é fruto de marketing, de redes sociais ou de grandes estruturas de campanha. Uma liderança é construída com trabalho, presença, coragem e compromisso. É quem enfrenta os problemas da comunidade de frente, acompanha famílias em situação de vulnerabilidade, cobra do poder público, participa de reuniões, reivindica melhorias e não desaparece quando as urnas são fechadas.
É preciso que os candidatos compreendam uma verdade simples, votos não se impõem, conquistam-se. E quem conhece a realidade de cada rua, de cada quadra e de cada bairro é a liderança comunitária. É ela que possui credibilidade junto à população, porque sua história foi escrita com ações concretas, e não apenas com promessas de campanha.
Os candidatos passam. Os mandatos terminam. Os partidos mudam de estratégia. Mas a liderança comunitária permanece firme, defendendo sua comunidade todos os dias. Enquanto muitos aparecem apenas em período eleitoral, o líder comunitário continua presente após a eleição, cobrando obras, lutando por saúde, educação, segurança, transporte e qualidade de vida.
Infelizmente, ainda existem candidatos que acreditam ser possível impor decisões de cima para baixo, escolhendo representantes sem ouvir quem construiu sua história ao lado da população. Esquecem que respeito não se compra, confiança não se decreta e liderança não se fabrica em gabinete.
Quem deseja representar o povo precisa, antes de tudo, respeitar quem já representa os anseios da população diariamente. Não existe projeto político forte quando se despreza a base. Não existe campanha vitoriosa construída apenas com recursos financeiros ou estratégias de marketing. A verdadeira força política nasce nas comunidades, onde homens e mulheres dedicam suas vidas à defesa do interesse coletivo.
Valorizar as lideranças comunitárias não é fazer um favor a elas. É reconhecer que a democracia começa na rua, no bairro, na associação de moradores, nas entidades sociais e em todos aqueles que transformam reivindicações em conquistas para a população.
Que as eleições de 2026 sirvam para resgatar esse princípio, quem pretende governar deve aprender primeiro a ouvir. Ouvir quem conhece os problemas, quem vive a realidade da comunidade e quem conquistou, com trabalho e dedicação, o respeito do povo.
A política precisa voltar a caminhar ao lado das comunidades, e isso só será possível quando as lideranças comunitárias forem tratadas como parceiras na construção de soluções, e não como meros instrumentos de campanha. O futuro de uma cidade, de um estado ou de um país se constrói com diálogo, respeito e reconhecimento daqueles que nunca abandonaram o seu povo.