Por Gleisson Coutinho
Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha revela que 70% dos brasileiros defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos, indicando aumento no apoio a medidas mais rígidas em relação aos menores infratores. O levantamento mostra uma mudança na percepção da população em comparação com os últimos anos.
Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados acreditam que adolescentes envolvidos em atos infracionais devem ser submetidos a medidas de reeducação, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder. Em 2022, o percentual favorável à punição como adultos era de 65%, o que representa um crescimento de cinco pontos percentuais.
O levantamento também analisou a opinião por grupos religiosos. Entre os evangélicos, 75% defendem que adolescentes respondam como adultos pelos crimes cometidos. Entre os católicos, esse percentual é de 72%, demonstrando maioria favorável ao endurecimento das punições em ambos os segmentos.
Quando considerados os eleitores dos principais pré-candidatos à Presidência da República, 61% dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem a punição de adolescentes como adultos. Entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), esse índice sobe para 81%.
A pesquisa também investigou a percepção da população sobre a política de drogas. Para 85% dos entrevistados, o uso de drogas deve continuar proibido porque seus efeitos atingem toda a sociedade. Apenas 13% entendem que a proibição não deveria existir, por considerarem que as consequências recaem principalmente sobre o usuário. Outros 2% não responderam.
Os dados fazem parte da matriz ideológica elaborada pelo Datafolha. Embora o questionário utilize a expressão "adolescentes que cometem crimes", a legislação brasileira trata essas condutas como atos infracionais, quando praticadas por menores de 18 anos, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09956/2026.
