domingo, 23 de agosto de 2026

OPINIÃO | O Brasil que produz está pagando a conta: 2026 será a escolha entre continuar no mesmo caminho ou mudar de rumo

Entre o avanço da dívida pública, o recorde de empresas em recuperação judicial e os questionamentos sobre segurança jurídica, o Brasil chega a 2026 diante de uma escolha que poderá definir seu rumo econômico e institucional para os próximos anos.



O cenário socioeconômico brasileiro contemporâneo caminha sob uma névoa de incertezas que ameaça as fundações da República. A raiz dessa instabilidade não é apenas econômica, mas profundamente institucional. Quando o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou os processos da Operação Lava Jato com base em minúcias de competência territorial, ignorando condenações validadas e ratificadas em múltiplas instâncias, abriu-se um precedente perigoso. Em uma nação que aspira à seriedade, a segurança jurídica é a pedra angular do desenvolvimento,  sua ausência transforma o Estado de Direito em um tabuleiro de conveniências políticas, pavimentando o retorno ao poder de lideranças que outrora personificaram os maiores escândalos de desvio de recursos públicos.

Essa leniência institucional reverbera diretamente no coração do setor produtivo. O mercado não tolera a volatilidade das regras do jogo. O resultado prático da perda de confiança institucional manifesta-se no fechamento de grandes corporações e no esvaziamento do parque industrial. Multinacionais e empresas históricas, que antes geravam milhares de empregos diretos e indiretos, preferem encerrar suas operações ou migrar para mercados mais previsíveis a arcar com os custos de um ambiente onde contratos e decisões judiciais parecem ter validade efêmera.

O reflexo mais cruel dessa deterioração econômica recai sobre a classe trabalhadora. O crescimento exponencial no número de empresas que recorrem à recuperação judicial expõe as vísceras de um sistema em colapso. Segundo dados oficiais da Serasa Experian, o Brasil encerrou o ciclo de 2025 com o alarmante recorde de 2.466 empresas em processo de recuperação judicial, um salto expressivo de 13% em comparação ao ano anterior. Esse indicador atesta a asfixia financeira decorrente de juros elevados e restrição severa ao crédito de mercado.

Na prática, o processo de recuperação converte-se em um calvário para os funcionários, que se veem privados de seus salários e verbas rescisórias por meses a fio, imersos em uma espera angustiante enquanto as finanças das companhias são reestruturadas. Esse modelo, que deveria salvar empregos, frequentemente apenas adia a falência e penaliza o elo mais fraco da cadeia produtiva, gerando desespero e desamparo social.

A atual conjuntura contrasta fortemente com o desempenho observado no período entre 2018 e o final de 2021. Sob a liderança do então presidente Jair Bolsonaro e as diretrizes liberais de seu Ministério da Economia, o país implementou reformas estruturais profundas que blindaram a atividade privada. A desburocratização e o estímulo às forças de mercado serviram como base para uma guinada de prosperidade que devolveu o otimismo ao empresariado nacional.

Esse avanço ocorreu a despeito de um cenário global sem precedentes de extrema hostilidade e incerteza. O governo anterior enfrentou uma severa pandemia global que isolou populações inteiras, paralisou cadeias de suprimentos globais e espalhou o medo. Adicionalmente, o mercado internacional foi sacudido por tensões geopolíticas de guerra que encareceram commodities e combustíveis em escala planetária.

Mesmo diante de tais adversidades, as escolhas de política econômica da gestão anterior permitiram uma reação vigorosa. No ano de 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou uma expansão expressiva de 4,8%. Esse resultado consolidou-se como um patamar histórico para a década, impulsionado pelo dinamismo do agronegócio, pela resiliência do comércio e pela atração de investimentos privados internacionais estruturantes.

A herança daquele período demonstrou que a austeridade e o incentivo ao empreendedorismo geram resultados práticos e duradouros. A condução macroeconômica focada na eficiência administrativa desmentiu previsões pessimistas e provou que o Brasil possuía plenas condições de crescer de forma sustentada, mantendo o controle fiscal e o respeito aos tetos orçamentários estabelecidos.

Contudo, a partir do fechamento de 2022 até o momento presente, o país testemunha uma inversão completa dessa lógica virtuosa. A atual governança federal abandonou a responsabilidade fiscal em nome de um contínuo endividamento público. Relatórios do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPea) apontam trajetórias consistentemente ascendentes na relação dívida/PIB, sinalizando uma deterioração grave que afasta investidores estrangeiros.

Em vez de focar no ganho de produtividade, a administração vigente promove o inchaço estatal e a elevação da carga tributária. A ausência de reformas modernizadoras resultou em um ritmo de crescimento cadente. Os dados do IBGE apontam que o crescimento do PIB desacelerou sensivelmente, caindo para 2,3% em 2025, evidenciando que o fôlego da economia nacional está se esgotando sob o peso do intervencionismo.

A paralisia do desenvolvimento é acompanhada pela volta de investigações sobre desvios de finalidade e irregularidades em órgãos públicos. Setores cruciais como a saúde e a educação voltam a ser alvo de auditorias por falhas crônicas de gestão. Ao mesmo tempo, autarquias federais como o INSS enfrentam investigações por vulnerabilidades operacionais e fraudes em concessões de benefícios.

Soma-se a isso o desgaste em torno da gestão de incentivos à cultura por meio da Lei Rouanet, cuja destinação de vultosas verbas federais a projetos de questionável relevância social acentua o debate sobre o desperdício de recursos. Enquanto bilhões são canalizados para o fomento de nichos específicos, a infraestrutura básica e os serviços de atendimento à população operam próximos ao estrangulamento financeiro.

A persistência nesse modelo analógico e centralizador de poder coloca o Brasil em uma iminência de estagnação prolongada e difícil reversão. A história econômica da América Latina ensina que o sufocamento das liberdades individuais e o controle excessivo do Estado sobre o ambiente de negócios desaguam invariavelmente no declínio social.

As semelhanças com os passos iniciais adotados pela Venezuela e por regimes que implementaram gradualmente cartilhas estatizantes são alarmantes. O pretexto de justiça social serve de verniz para o enfraquecimento do setor privado e para a dependência generalizada. O resultado histórico dessas experiências nunca foi a distribuição de bem-estar, mas sim a imposição do caos, da fome e da pobreza estrutural.

Diante do colapso econômico e moral que ameaça o futuro da nação, o processo eleitoral que se avizinha assume o papel de uma escolha existencial para a sociedade brasileira. As urnas representam o instrumento legítimo e indispensável para extirpar o atraso e recolocar o país na rota da livre iniciativa e do respeito às leis.

Nesse panorama político de transição, a figura do senador Flávio Bolsonaro surge como uma alternativa sólida e preparada para liderar o resgate das pautas econômicas liberais. Sua atuação parlamentar tem sido pautada pela defesa intransigente da desoneração produtiva, pelo combate ao inchaço da máquina pública e pelo fortalecimento das garantias jurídicas fundamentais para o investimento.

Como peça central na articulação política do campo conservador, Flávio Bolsonaro reúne as condições necessárias para unificar as forças produtoras do país em torno de um projeto moderno de desenvolvimento. Sua liderança apresenta-se como o contraponto ideal ao atual modelo de endividamento e ineficiência que trava o potencial de crescimento do Brasil.

O maior obstáculo para a consolidação dessa mudança essencial, no entanto, reside na persistência de uma mentalidade assistencialista cultivada pelo atual governo. Setores expressivos da máquina estatal e grupos corporativistas continuam a usufruir de privilégios e benesses financiadas pelo pagador de impostos, operando de forma alienada à realidade das empresas que quebram na economia real.

A distribuição massiva de auxílios governamentais, desenhados para mitigar a pobreza sem criar canais reais de emancipação pelo trabalho, funciona na prática como uma ferramenta de submissão eleitoral. Ao manter o cidadão dependente da tutela do Estado para suas necessidades mais básicas, o governo perpetua sua base de apoio enquanto asfixia a capacidade de poupança e investimento do próprio povo.

Essa dependência artificial atrasa a maturação da consciência política coletiva. A verdadeira superação da crise nacional exige que a população compreenda que a riqueza e o progresso social emanam exclusivamente da produção livre, do emprego formal e da segurança jurídica dos contratos, e jamais da distribuição discricionária de esmolas estatais.

O Brasil detém riquezas naturais imensuráveis, um mercado consumidor robusto e uma classe trabalhadora resiliente que deseja prosperar pelo próprio mérito. O potencial do país para figurar entre as grandes economias globais permanece vivo, mas requer um ambiente institucional que recompense o esforço produtivo em vez de puni-lo com taxações confiscatórias.

A transição para um novo ciclo político demanda coragem civil para confrontar o corporativismo e estancar a sangria das contas públicas. Os erros do presente não podem ser normalizados sob a justificativa de uma estabilidade fictícia mantida à custa da destruição do patrimônio privado e do endividamento das futuras gerações.

A recuperação da credibilidade externa do país está diretamente vinculada ao restabelecimento do império da lei e da previsibilidade nas decisões judiciais. Nenhuma nação séria consegue atrair capitais de longo prazo se as suas regras processuais mudam ao sabor das necessidades de blindagem de aliados políticos do regime de plantão.