O
novo presidente do Conselho de Administração da Delta, Carlos Alberto Verdini,
acusou o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) de ter deixado de pagar uma dívida
à empreiteira relativa ao estádio do Engenhão, inaugurado em 2007 para os Jogos
Pan-Americanos.
A obra causou polêmica porque
o orçamento inicial, de R$ 60 milhões, fechou em R$ 350 milhões, em valores da
época.
Na construção, a prefeitura
transferiu parte da obra estrutural, que caberia à Delta, para o consórcio
formado pela Odebrecht e a OAS, contratado para o acabamento e a cobertura. Com
isso, R$ 60,5 milhões passaram da empreiteira de Fernando Cavendish para o
consórcio.
Em entrevista à Folha, Verdini negou que
questionamentos à capacidade técnica da Delta tenham sido a razão da
transferência.
"Estávamos trabalhando,
tínhamos um dinheiro grande a receber que o prefeito não nos pagava, e ele me
chamou para aumentar a força de trabalho porque precisava acelerar a obra. Foi
solicitado que, para isso, ele teria que ao menos saldar parte do valor devido.
Ele disse que não podia. Não foi problema de capacidade."
Ele diz que o adiantamento
negado à Delta foi feito ao consórcio Odebrecht-OAS. "Para nós que tinha
que pagar a dívida, ele não pagou."
Maia negou a acusação de
Verdini. Segundo o ex-prefeito, o consórcio alegou que a Delta não tinha
tecnologia para fazer a junção da cobertura, que era muito sofisticada. A
construtora teria proposto a terceirização do serviço, mas ele, depois de ouvir
uma consultoria, concluiu que era arriscado.
"A decisão foi pedir a
Delta que parasse por ali e que o consórcio assumisse essa parte final --apenas
essa-- de articulação com a cobertura", disse Maia.
O ex-prefeito do Rio nega já
ter falado com Verdini sobre o Engenhão. "Nunca conversei com nenhum
empreiteiro sobre obras. Era assunto das secretarias de Obras e de
Habitação."
Maia disse que "talvez
tenha apertado a mão de um ou outro [empreiteiro] num ato oficial. Não sou
capaz de identificar na rua".
Durante os segundo e terceiro
mandatos de Maia na Prefeitura do Rio, de 2001 e 2009, a Delta construiu
também a Cidade do Samba, a Cidade das Crianças (parque na zona oeste) e o
Parque Aquático Maria Lenk.
Fonte:
Folha